Saber quanto você gasta para colocar um produto na prateleira é o primeiro passo para não levar prejuízo no fim do mês. Afinal, estoque parado ou mercadoria vendida pelo preço errado é dinheiro que escorre pelo ralo do seu caixa.
O CMV, ou Custo de Mercadoria Vendida, é aquela métrica que ajuda a gente a enxergar exatamente o valor investido em cada item que saiu do seu negócio. Sem ele, você fica no escuro na hora de dar o preço final para o seu cliente.
A seguir, aprenda como calcular o CMV para ajustar suas margens, negociar melhor com fornecedores e garantir que o lucro que você vê no papel realmente chegue na sua conta.
O que é CMV?
O Custo de Mercadoria Vendida (CMV) é a soma de todos os gastos para produzir ou comprar um item até que ele seja vendido. Esse índice inclui o valor pago ao fornecedor, fretes e impostos não recuperáveis, servindo de base para calcular o lucro bruto e entender a saúde financeira da loja.
Em termos simples: o CMV é o que você tirou do bolso para ter aquele produto disponível para o seu cliente. Se você vende uma camiseta por R$ 80,00, mas gastou R$ 45,00 entre compra, transporte e taxas, o seu CMV é de R$ 45,00.
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Para que serve o CMV?
O CMV serve para medir a eficiência da sua operação e descobrir quanto sobra de verdade após cada venda. Ele é o principal indicador para definir o preço de venda correto, controlar perdas no estoque e identificar se os seus custos de compra estão altos demais para a realidade do mercado.
Colocar esse número na ponta do lápis é o que permite que você tome decisões seguras. No dia a dia, esse indicador funciona como uma bússola para:
- Calcular o lucro bruto: basta subtrair o CMV do valor total das vendas;
- Ajustar o preço: se o custo subir, você sabe exatamente quanto precisa repassar para manter a margem;
- Negociar com fornecedores: ter o número na mão dá poder de barganha para buscar preços melhores;
- Gerir o estoque: ajuda a identificar mercadorias que não estão girando e que estão “comendo” o seu capital de giro.
O que entra no cálculo do CMV?
No cálculo do CMV entram todos os valores gastos diretamente para que o produto chegue até a sua prateleira pronto para venda.
Para não errar na conta, o segredo é entender a diferença entre custo e despesa. Muita gente mistura tudo, mas a regra é simples:
- Custo (entra no CMV): é o dinheiro que você gasta especificamente com o produto. Se você não comprar ou não fabricar nada, esse gasto não existe. Exemplos: preço de compra com fornecedores, frete da mercadoria, seguros da carga, impostos não recuperáveis, embalagens primárias dos itens e matéria-prima;
- Despesa (não entra no CMV): é o dinheiro que você gasta para manter a estrutura do seu negócio funcionando, independente de vender uma ou mil unidades. Exemplos: aluguel, conta de luz, salários da equipe de vendas e marketing.
Fique atento: se você colocar o aluguel no meio do cálculo do CMV, seu custo vai parecer muito mais alto do que realmente é, o que pode te fazer subir o preço além do que o cliente aceita pagar. O CMV deve focar apenas no que vai embora da loja junto com o produto que o cliente leva.
Como calcular o CMV?
Para calcular o CMV, você deve somar o valor do seu estoque inicial com o total de compras feitas no período e subtrair o valor do estoque final. Essa conta revela o valor real das mercadorias que saíram da loja, permitindo identificar quanto dinheiro foi investido no que foi vendido.
A fórmula padrão usada no varejo é:
CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final
Para aplicar esse cálculo, você precisa ter em mãos três informações básicas:
- Estoque inicial: o valor total em reais dos produtos que você já tinha na prateleira ou no depósito no primeiro dia do mês;
- Compras: o valor de todas as novas mercadorias que você adquiriu de fornecedores durante aquele mês;
- Estoque final: o valor total dos itens que sobraram no seu estoque no último dia do período analisado.
Exemplo prático: a conta no dia a dia
Imagine que você é dono de uma loja de roupas e quer descobrir o CMV do mês de janeiro. No dia 1º, você fez a contagem e viu que tinha R$ 10.000,00 em mercadorias (Estoque Inicial).
Durante o mês, você comprou mais R$ 5.000,00 em novas peças para renovar a vitrine (Compras). Ao fechar a loja no dia 31, você contou o que sobrou e o valor era de R$ 8.000,00 (Estoque Final).
A conta ficaria assim:
- R$ 10.000 (Estoque Inicial) + R$ 5.000 (Compras) = R$ 15.000;
- R$ 15.000 – R$ 8.000 (Estoque Final) = R$ 7.000.
Isso significa que o seu CMV foi de R$ 7.000,00. Ou seja, das vendas que você fez em janeiro, R$ 7.000,00 foram apenas para cobrir o custo do que saiu da loja. O que entrar acima disso é o seu lucro bruto.
Como calcular o CMV em porcentagem?
Para calcular o CMV em porcentagem, você deve dividir o valor total do CMV pelo faturamento bruto das vendas do mesmo período e multiplicar o resultado por 100. Essa conta indica qual fatia da sua receita está sendo usada para cobrir os custos das mercadorias vendidas.
A fórmula é:
CMV% = (CMV / Vendas) x 100
Entender esse índice é fundamental por três motivos:
- Comparação com o mercado: cada setor tem uma média saudável (no varejo de moda, por exemplo, costuma ficar entre 30% e 40%);
- Alerta de eficiência: se a porcentagem estiver subindo muito, pode ser sinal de que seus fornecedores aumentaram os preços ou que você está tendo muitas perdas no estoque;
- Visão da margem: quanto menor a porcentagem do CMV, maior é a sua margem de lucro bruta para cobrir as outras despesas e sobrar dinheiro no final.
Como calcular o CMV de um produto?
Para calcular o CMV de um produto unitário, você deve somar o preço de aquisição pago ao fornecedor aos custos de frete, impostos e embalagem proporcional a cada item.
Esse cálculo permite saber exatamente quanto cada mercadoria custa para o seu bolso, facilitando a definição de um preço de venda lucrativo.
Enquanto a fórmula geral olha para a loja toda, o cálculo por produto é o que te ajuda na hora de precificar. Para chegar ao valor real, você precisa considerar:
- Valor de compra: quanto você pagou pela unidade do produto;
- Frete rateado: divida o valor total do frete pela quantidade de produtos que vieram na caixa;
- Impostos diretos: taxas que incidem sobre a mercadoria e que você não consegue abater depois;
- Embalagem: custo da caixa ou pacote que acompanha o item individualmente.
Qual o valor ideal do CMV?
O valor ideal do CMV varia de acordo com o seu setor de atuação, mas, no varejo geral, a média saudável costuma ficar entre 30% e 40% do faturamento bruto. Esse percentual garante que, após cobrir o custo dos produtos, ainda sobre uma margem suficiente para pagar as despesas fixas e gerar lucro líquido.
É importante entender que o número ideal depende do tipo de negócio que você toca. Veja alguns exemplos:
- Restaurantes e bares: o ideal é que o CMV fique entre 25% e 35%. Como o setor tem despesas operacionais muito altas (muitos funcionários, gás, luz, manutenção), o custo do ingrediente precisa ser menor para a conta fechar;
- Lojas de roupas e acessórios: a média de mercado gira entre 30% e 40%. Se o seu custo passar disso, você provavelmente está com o estoque parado ou negociando mal com fornecedores;
- Supermercados e minimercados: como o volume de vendas é muito alto, o CMV pode ser maior, chegando a 70% ou 75%. Aqui, ganha-se na quantidade, não na margem por item.
O segredo não é buscar o número mais baixo possível, mas sim o equilíbrio. Um CMV muito baixo pode indicar que você está cobrando caro demais e perdendo clientes, enquanto um muito alto mostra que você está pagando para trabalhar.
Qual a importância do CMV para o negócio?
O CMV ajuda a garantir que a sua empresa seja lucrativa e sustentável. Ele permite identificar se o preço de venda cobre os custos, ajuda a controlar desperdícios no estoque e fornece dados reais para negociar melhores condições com fornecedores e parceiros de logística.
Ter o controle do CMV traz segurança para você:
- Saber a margem real: você descobre quanto sobra após pagar o produto, antes de descontar as despesas fixas;
- Identificar prejuízos ocultos: ajuda a perceber se algum produto está com custo tão alto que não vale a pena manter na vitrine;
- Planejar promoções: permite calcular descontos sem queimar a margem de segurança do seu caixa;
- Controlar o estoque: facilita a identificação de mercadorias paradas que estão “comendo” o seu dinheiro.
Dominar o CMV é essencial para colocar os custos na ponta do lápis, ganhar fôlego para negociar melhor e focar no que realmente traz lucro para o seu caixa.
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Este conteúdo é uma forma de apoiar empreendedores na sua jornada. No entanto, cada estabelecimento é único e nem todas as dicas aqui podem se aplicar ao seu negócio.




