Maquininha de cartão

Juros da maquininha: como funcionam, como calcular e se é legal repassar

Descubra como funcionam os juros da maquininha e aprenda a calcular o preço final para não ter surpresas no seu negócio.

6 min de leitura - 27 de ago de 2025

Juros da maquininha: como funcionam, como calcular e se é legal repassar

O que o mercado chama de "juros da maquininha" é, na maior parte das vezes, a taxa de desconto que a credenciadora cobra do lojista por venda. 

Neste conteúdo, você vê a diferença entre taxa e juros, como calcular quanto entra no seu caixa em cada venda, com exemplo resolvido, e o que a lei diz sobre repassar esse custo ao cliente.

Em resumo: a taxa da maquininha é descontada do valor que você recebe e varia por função do cartão, número de parcelas, bandeira e plano contratado. Juros, em sentido estrito, é o que o cliente paga quando a compra é parcelada com acréscimo. Repassar o custo ao consumidor é permitido pela Lei 13.455/2017, desde que a diferença de preço seja informada de forma visível antes da compra.

O que são os juros da maquininha?

Os juros da maquininha são taxas cobradas pelas operadoras de maquininhas em transações realizadas por meio de cartão (de crédito ou débito).

Essas taxas podem variar de acordo com:

·        Tipo de operação (à vista ou parcelada);

·        Número de parcelas;

·        Bandeira do cartão;

·        Plano contratado.

Elas são descontadas diretamente do valor a ser recebido pelo empreendedor, impactando o fluxo de caixa do negócio.

Qual a diferença entre taxa e juros da maquininha?

Os dois termos são usados como sinônimos no balcão, mas descrevem coisas diferentes, e confundi-los leva a erro de preço:

ConceitoQuem pagaComo aparece
Taxa de desconto (MDR)O lojistaDescontada do valor da venda antes do repasse
Taxa de antecipaçãoO lojistaCobrada quando ele adianta o recebimento
Juros de parcelamentoO clienteAcréscimo no valor da compra, quando o lojista repassa o custo

Na prática: se você vende R$ 1.000 em três parcelas e não repassa nada, o cliente paga R$ 1.000 e você recebe menos que isso, por causa da taxa. Se você repassa, o cliente paga mais de R$ 1.000 e você preserva o valor cheio.

Como funcionam os juros da maquininha?

De forma geral, os juros podem aparecer em diferentes situações:

·        Parcelamento do cartão de crédito: quanto mais parcelas, maior a taxa aplicada;

·        Antecipação de recebíveis: caso o empreendedor queira receber o dinheiro antes da data de pagamento, normalmente há cobrança de juros de antecipação;

·        Planos mensais de máquinas: alguns planos têm taxa fixa ou variável dependendo do volume de vendas.

Saber como cada operação é cobrada ajuda a planejar melhor as finanças do negócio.

Quanto custa, em média, cada tipo de venda?

O Banco Central publica a taxa média que os estabelecimentos pagam, aberta por função do cartão e faixa de parcelamento. Serve como referência para você comparar o que paga hoje:

Tipo de vendaTaxa média cobrada do lojista
Débito1,08%
Pré-pago1,21%
Crédito em 1 parcela1,95%
Crédito em 2 e 3 parcelas2,26%
Crédito em 4 a 6 parcelas2,32%
Crédito em 7 ou mais parcelas2,40%

Fonte: Banco Central, Estatísticas de Meios de Pagamento de Varejo, 1º trimestre de 2026. Médias ponderadas pelo valor das transações.

Essas são médias do mercado inteiro, e não a taxa de um plano específico. A taxa efetiva do seu negócio depende do faturamento, do segmento e do que foi contratado.

Como calcular os juros da maquininha?

O cálculo do quanto entra no seu caixa é uma subtração simples:

Valor recebido = valor da venda − (valor da venda × taxa da operação)

O passo a passo:

1.  Identifique o valor da venda. É o total cobrado do cliente na operação.

2.  Verifique a bandeira do cartão. Bandeiras diferentes podem ter taxas distintas.

3.  Identifique a taxa aplicável. Considere o tipo de operação (à vista ou parcelada), o número de parcelas e o plano contratado.

4.  Aplique a taxa sobre o valor da venda. O resultado é quanto fica com a credenciadora.

5.  Subtraia do valor da venda. O que resta é o valor líquido que entra na sua conta.

No aplicativo Stone é possível realizar a simulação de vendas e entender o quanto você receberá de acordo com as taxas aplicadas.

Exemplo: uma venda de R$ 1.500 em 5 parcelas

Usando a taxa média do Banco Central para crédito de 4 a 6 parcelas, que é de 2,32%:

EtapaCálculoResultado
Valor da vendaCobrado do clienteR$ 1.500,00
Taxa aplicadaR$ 1.500,00 × 2,32%R$ 34,80
Valor líquidoR$ 1.500,00 − R$ 34,80R$ 1.465,20
Valor de cada parcela recebidaR$ 1.465,20 ÷ 5R$ 293,04

A mesma venda no débito, com taxa de 1,08%, deixaria R$ 16,20 de custo, contra R$ 34,80 no parcelamento em cinco vezes. A diferença de R$ 18,60 em uma venda vira R$ 1.860 em cem vendas iguais no mês.

E se você quiser repassar o custo ao cliente

Para o cliente pagar o custo e você manter o valor cheio, não basta somar a taxa ao preço. É preciso dividir:

Preço com repasse = valor desejado ÷ (1 − taxa)

No exemplo: R$ 1.500 ÷ (1 − 0,0232) = R$ 1.535,63. Somar 2,32% ao preço resultaria em R$ 1.534,80, que deixaria você com R$ 1.499,19, ou seja, ainda abaixo do valor pretendido.

No aplicativo Stone é possível realizar a simulação de vendas e entender o quanto você receberá de acordo com as taxas aplicadas.

É legal cobrar os juros da maquininha do cliente?

Sim. A Lei 13.455/2017 autoriza, no artigo 1º, a diferenciação de preços de bens e serviços em função do prazo ou do instrumento de pagamento utilizado. O mesmo artigo considera nula qualquer cláusula de arranjo de pagamento que proíba essa prática.

Existe uma condição, e ela é obrigatória. A lei alterou a Lei 10.962/2004 para determinar que o fornecedor informe, em local e formato visíveis ao consumidor, os descontos oferecidos em função do prazo ou do instrumento de pagamento. O descumprimento sujeita o estabelecimento às sanções do Código de Defesa do Consumidor.

Na prática, o repasse precisa estar visível antes da compra, seja na etiqueta, no cartaz do caixa ou na tela do checkout. Informar apenas quando o cliente pergunta, ou somente na hora de passar o cartão, expõe o negócio a autuação.

Antecipação de recebíveis: como funciona?

A antecipação de recebíveis permite que o seu negócio receba antes os valores de vendas a prazo, descontando uma taxa administrativa, que já inclui o custo da operação.

Essa é uma forma prática de melhorar o fluxo de caixa, mas exige planejamento para não comprometer os recebimentos futuros.

O processo é simples: basta selecionar os recebíveis que deseja antecipar, conferir taxas e condições, e confirmar a operação.

Antes de antecipar de forma recorrente, vale comparar o custo da antecipação com o custo de outras formas de cobrir o caixa. Antecipar todo mês, por hábito, costuma sair mais caro do que ajustar prazos com fornecedores.

Para saber mais detalhes e cuidados ao pedir antecipação, veja os guias completos da Stone sobre como funciona a antecipação de recebíveis e o passo a passo para pedir.

Juros da maquininha Stone: entenda como são aplicados

Atualmente, o plano disponível é o Stone Flex. Neste plano, os juros são personalizados de acordo com a realidade de cada negócio. Ele foi pensado para pequenas e médias empresas e permite isenção de mensalidade ao atingir um faturamento mínimo.

Caso a mensalidade grátis não seja aplicada a todas as maquininhas, você recebe, no início do mês, um e-mail com o valor que vai ser cobrado.

As condições são definidas conforme o perfil e o faturamento do negócio e podem ser simuladas antes da contratação.

Como reduzir o impacto dos juros nas suas vendas?

·        Evite parcelamentos longos: a diferença entre 1,95% no crédito à vista e 2,40% em sete ou mais parcelas é de 0,45 ponto percentual por venda;

·        Incentive débito e Pix: as duas formas de recebimento mais baratas, e a lei permite oferecer desconto para direcionar a escolha do cliente;

·        Compare planos: escolha o que oferece melhor relação de custo para o seu volume de vendas;

·        Planeje seu fluxo de caixa: entender quando você vai receber ajuda a decidir se vale a pena antecipar recebíveis;

·        Revise a precificação: se a taxa média do seu mix de vendas é de 2%, esse custo precisa estar dentro do preço, e não sobrando da margem.

Este conteúdo é uma forma de apoiar empreendedores na sua jornada. No entanto, cada estabelecimento é único e nem todas as dicas aqui podem se aplicar ao seu negócio.

Perguntas frequentes sobre juros da maquininha

É legal cobrar o juros da maquininha do cliente?

Sim. A Lei 13.455/2017 permite cobrar preços diferentes conforme o prazo ou o instrumento de pagamento. A condição é informar a diferença de forma visível ao consumidor antes da compra.

Quanto custa parcelar R$ 1.500 em 5 vezes?

Usando a taxa média do mercado para crédito de 4 a 6 parcelas, que foi de 2,32% no primeiro trimestre de 2026, o custo é de R$ 34,80, e o valor líquido recebido fica em R$ 1.465,20. A taxa do seu plano pode ser diferente dessa média.

Como calcular a taxa da maquininha?

Multiplique o valor da venda pela taxa da operação e subtraia o resultado do valor da venda. Para repassar o custo ao cliente mantendo o valor cheio, divida o valor desejado por (1 menos a taxa), em vez de somar o percentual ao preço.

Qual a diferença entre taxa e juros da maquininha?

A taxa de desconto é paga pelo lojista e sai do valor da venda. Os juros de parcelamento são pagos pelo cliente, quando o lojista opta por repassar o custo. Na conversa do dia a dia, os dois termos acabam se misturando.

Qual a maquininha com a menor taxa?

Não existe uma resposta única, porque a taxa varia por faturamento, segmento e mix de vendas. O caminho é simular com o seu volume real e comparar, além da taxa, o prazo de repasse e a regra de antecipação, que também afetam o caixa.

Débito tem juros?

O débito não tem parcelamento nem juros para o cliente, mas tem taxa para o lojista. No primeiro trimestre de 2026, a média foi de 1,08%, a menor entre as funções do cartão.

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Equipe Stone

Time de especialistas em negócios, finanças e empreendedorismo.

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