Quem vive de revenda sabe que o jogo é apertado. Você fica espremido entre o preço que o fornecedor cobra e o valor que o cliente aceita pagar. A conta parece simples, mas é nos detalhes invisíveis dessa operação que o lucro costuma escapar.
O erro mais perigoso na revenda é achar que basta colocar uma porcentagem qualquer em cima do custo da mercadoria, sem colocar na ponta do lápis o frete que pagou para o produto chegar, a embalagem de entrega ou os impostos.
Entender como precificar um produto para revenda é a melhor forma de começar a construir um lucro real. Vamos aprender a fazer essa conta fechar de vez.
O que é o preço de revenda?
O preço de revenda é o valor cobrado ao consumidor final por uma mercadoria que você comprou pronta de um fornecedor.
Ele é a soma exata de três contas: o custo de aquisição (quanto custou trazer o produto), as despesas operacionais (quanto custa manter a loja aberta) e a margem de lucro (o dinheiro que sobra para você).
Por que a precificação é tão importante na revenda?
Na revenda, o preço é a única ferramenta capaz de recuperar o capital alto investido na formação do estoque. Se ele for calculado errado, você entrega a mercadoria, mas o dinheiro que entra não é suficiente para repor o produto e pagar as contas, gerando prejuízo mesmo com a loja cheia.
Muitos empreendedores quebram tentando apenas copiar o preço do vizinho ou precificar no olho. Isso é perigoso: se o seu concorrente compra carreta fechada e você compra caixa, o custo dele é menor. Ao copiar o preço dele tendo um custo maior, sua margem desaparece.
Uma precificação estratégica serve para garantir a saúde do negócio em três frentes:
- Cobertura de custos: paga os fornecedores e as contas do dia a dia sem sufoco;
- Geração de lucro real: permite retirar seu pró-labore e investir no crescimento do negócio;
- Giro de estoque: garante que o produto saia da prateleira. Preço alto demais encalha; preço baixo demais dá prejuízo.
Como calcular meu lucro na revenda?
O lucro na revenda é o valor que sobra no caixa da sua empresa após a venda de um produto, descontando todos os custos envolvidos. É fundamental não confundir lucro com faturamento. Faturamento é todo o dinheiro que entra. Lucro é o que fica.
Para encontrar esse valor sem erro, use esta fórmula simples:
Lucro Líquido = Preço de Venda – (Custo do Produto + Despesas Variáveis + Despesas Fixas)
Vamos ver como isso funciona na prática? Imagine que você vende uma peça de roupa por R$ 100,00. Veja como o dinheiro é distribuído:
Exemplo prático de cálculo:
- (+) Preço de Venda: R$ 100,00
- (-) Custo do Produto: R$ 40,00 (preço do fornecedor + frete de chegada)
- (-) Custos Variáveis: R$ 15,00 (impostos + taxa da maquininha + comissão)
- (-) Custo Fixo por Unidade: R$ 15,00 (sua parte do aluguel, luz e água)
- (=) Lucro Líquido: R$ 30,00
Neste exemplo, sua margem de lucro seria de 30%. Note que R$ 70,00 foram usados apenas para pagar a operação. Se você esquecer de incluir a taxa da maquininha ou o frete na conta, esse lucro de R$ 30,00 pode virar pó sem você perceber.
Como precificar um produto para revenda?
Antes de entrar nos detalhes, grave esta fórmula na cabeça. O preço ideal de revenda precisa respeitar esta estrutura básica:
Preço de Venda = Custo da Mercadoria + Despesas da Loja + Seu Lucro
Parece óbvio? O segredo — e onde a maioria erra — é saber exatamente o que colocar dentro das despesas. Para não esquecer nada, siga este passo a passo:
1. Levante o custo da mercadoria
Quanto você pagou pelo produto? Inclua aqui o valor da nota fiscal e o frete para o produto chegar até sua loja. Se comprou uma caixa com 10 unidades por R$ 200,00 (já com frete), o custo unitário é R$ 20,00.
2. Identifique os custos variáveis
Esses são os gastos que só acontecem se você vender. Entram aqui:
- Impostos: Simples Nacional, ICMS etc.;
- Taxas de venda: a porcentagem da sua maquininha (débito, crédito ou parcelado) ou a taxa do marketplace;
- Comissões: se você paga porcentagem para vendedores;
- Embalagem: sacolas, caixas de envio, fitas.
3. Considere os custos fixos
Aluguel, internet, salário de funcionários (e o seu pró-labore), água e luz. Mesmo que você não venda nada hoje, essas contas chegam. Você precisa saber quanto isso representa de cada venda.
Dica rápida: some todas as contas fixas do mês (ex: R$ 2.000). Divida esse valor pela sua média de vendas mensal (ex: R$ 10.000). O resultado (0,20 ou 20%) é quanto você deve considerar de custo fixo em cada produto.
4. Defina sua margem de lucro
Quanto você quer ganhar sobre esse produto? Lembre-se: margem de lucro não é salário. É o dinheiro para o negócio crescer e formar sua reserva de emergência.
Mas cuidado: não adianta querer uma margem alta se o mercado não aceitar pagar. Para definir esse número, coloque na balança fatores como:
- Concorrência: se o vizinho vende o mesmo produto pela metade do preço, sua margem vai ter que baixar ou seu serviço vai ter que ser muito melhor para justificar;
- Valor percebido: o cliente não compra só produto, compra experiência. Uma embalagem caprichada, uma entrega relâmpago ou um atendimento nota 10 fazem o cliente aceitar pagar mais caro sem reclamar;
- Exclusividade: se você é o único que tem aquele item na cidade, a lei da oferta e procura joga a seu favor e sua margem pode subir.
Facilite a precificação dos seus produtos para revenda
Saber precificar um produto para revenda é o que separa quem tem um negócio de verdade de quem tem um hobby caro. Não deixe o lucro escapar por erros manuais na calculadora.
Para você não perder tempo fazendo contas na ponta do lápis a cada novo estoque, criamos uma ferramenta gratuita que faz o trabalho pesado por você. É só colocar os custos e a margem, que a gente entrega o preço pronto.
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Este conteúdo é uma forma de apoiar empreendedores na sua jornada. No entanto, cada estabelecimento é único e nem todas as dicas aqui podem se aplicar ao seu negócio.






