Delivery é um modelo de negócio cada vez mais popular no ramo de serviços alimentícios: ele não apenas demanda um investimento inicial menor se comparado a um restaurante, como tem alto potencial de crescimento.
Para quem já possui um estabelecimento, as entregas por delivery podem rechear o faturamento e representar até 30% das vendas do mês, segundo dados da Abrasel (Associação brasileira de Bares e Restaurantes); para quem quer começar um negócio do zero, uma operação exclusiva de entregas (com a chamada dark kitchen) é mais simples e barata de ser colocada de pé.
Qual é o potencial do mercado de delivery?
Desde a pandemia, pedir delivery se consolidou como parte da rotina dos brasileiros. Segundo um levantamento da Ticket, 40% dos consumidores têm o hábito de fazer pedidos em aplicativos de delivery e 11% pedem de uma a duas vezes por semana.
Por outro lado, 36% das pessoas já deixaram de usar um app de entregas após uma experiência negativa, segundo pesquisa do Opinion Box.
Ou seja: apesar da alta demanda, o negócio só vai para frente se, literalmente, entregar o que o consumidor espera. E, para isso, é fundamental ter um bom planejamento para estruturar a sua operação
Como montar um delivery?
De forma resumida, para montar um delivery é preciso ter um bom plano de negócios, licenças de operação e toda a infraestrutura de preparo, pagamento e entregas. Confira abaixo, em 11 tópicos, como fazer isso.
1. Desenhe um plano de negócios
O primeiro passo para abrir um delivery (ou qualquer novo empreendimento) é criar um plano de negócios com as informações detalhadas dos seus objetivos e de como eles serão alcançados.
Em outras palavras: como o negócio vai dar dinheiro? Por isso, o plano precisa conter:
- Proposta de valor: definição do nicho de atuação (pizzaria, hamburgueria, marmitas fitness), diferenciais competitivos e objetivos;
- Pesquisa de mercado: análise da concorrência, demandas e necessidades do público-consumidor e potenciais fornecedores para o negócio;
- Planejamento de marketing: produtos que serão oferecidos, canais e estratégias de divulgação que serão utilizados;
- Planejamento operacional: detalhando canais e processos que serão utilizados, capacidade de produção e modalidades de entrega, por exemplo;
- Planejamento financeiro: cálculo do investimento necessário para montar a operação, incluindo capital de giro, equipamentos, insumos e funcionários.
Confira aqui como montar um plano de negócio para o seu restaurante.
2. Defina os canais de vendas
A plataforma mais comum para vender por delivery são os aplicativos terceiros, como iFood e Rappi. Eles costumam ser uma ótima alternativa para quem está começando, mas não são a única opção.
Opções de venda por delivery:
- Apps de delivery: há vários aplicativos terceiros que oferecem uma infraestrutura tecnológica pronta para receber pedidos por delivery com a cobrança de taxas sobre as vendas.
- Site ou app de delivery próprio: também é possível criar a sua própria interface de vendas .
- Redes sociais: além de anunciar seus serviços no Instagram e Facebook, você pode utilizar as ferramentas de mensagens diretas das plataformas para receber pedidos.
- WhatsApp: assim como as redes sociais, é uma forma direta de receber pedidos e interagir com clientes.
Cada alternativa tem suas vantagens e desvantagens. Veja abaixo um comparativo:

É importante entender qual ou quais canais fazem mais sentido para a realidade do seu negócio e a preferência dos seus clientes.
3. Crie o cardápio do delivery
Existem três passos importantes na hora de criar um cardápio: 1) decidir os pratos que serão servidos, 2) definir os preços cobrados e 3) elaborar a forma como eles serão apresentados e descritos.
Sobre o ponto número 1, o menu, a dica é “menos é mais”. Para quem está começando, pode ser mais estratégico investir inicialmente em um menu mais simples, com menos opções. Assim, é mais fácil garantir qualidade e consistência.
Lembre-se: quanto mais pratos e ingredientes, mais complexa é a operação do seu negócio – e maiores as chances de perder dinheiro com desperdício. Normalmente, há 3 ou 4 itens que correspondem a 60% das vendas de um restaurante.
Na hora de definir os preços, leve em conta:
- custos envolvidos em cada prato;
- custos da operação do delivery;
- valores praticados pela concorrência;
- perfil do público;
- sua margem de lucro.
Sobre a diagramação, ou visual do cardápio, lembre-se: especialmente para delivery, fotos e descrições detalhadas de ingredientes e preparos são importantes para chamar a atenção dos consumidores.
4. Monte a estrutura da operação
Onde será o local de produção do delivery? É preciso contar com um espaço adequado para a cozinha e a preparação dos pedidos, mesmo que a operação funcione no modelo de dark kitchen, que é dedicado exclusivamente ao delivery.
Alguns pontos importantes de se considerar na hora de estruturar o seu espaço são:
- Localização: locais próximos do seu público-alvo podem facilitar e agilizar a logística de entrega;
- Equipamentos: identifique os materiais necessários para a produção (ex.: geladeira, fogão, chapa, forno, bancada, freezer, armários e utensílios de cozinha) e a gestão do negócio (ex.: computador, impressora, telefone e maquininha de cartão);
- Organização: o espaço precisa ser funcional, limpo e organizado. Além de cozinha, estoque e recebimento, é preciso prever uma área de “despacho de pedidos”.
5. Escolha bons fornecedores
Atenção: a qualidade do seu serviço depende, e muito, da qualidade dos seus fornecedores. Além de bons produtos/ingredientes para as suas receitas, é preciso considerar também:
- Pontualidade: as entregas chegam no dia? Ou você corre o risco de ficar na mão bem no auge do movimento do mês?
- Consistência: os produtos mantêm um padrão, ou a cada dia é uma surpresa?
- Pagamento: quais formas de pagamento ele aceita? E quais os prazos e as condições?
- Escala: se precisar de uma entrega de emergência, quem irá te atender?
Evite depender de um único fornecedor. É importante ter opções disponíveis em caso de imprevistos e atrasos — isso vale para a compra de ingredientes e embalagens também.
6. Regularize o negócio
Para quem está começando o próprio negócio, é fundamental abrir um CNPJ para manter a operação regularizada, emitindo notas fiscais e pagando os impostos devidos.
Pensando especificamente no mercado de delivery, também é necessário ter um alvará de funcionamento. Cada município pode ter exigências, então o ideal é buscar no site da Prefeitura da sua cidade quais as regras.
Além disso, a segurança dos alimentos é algo sério e fundamental em todo negócio. Existem normas de limpeza e higiene da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre como os alimentos precisam ser armazenados, manuseados e transportados.
Aqui você pode baixar o PDF oficial da Anvisa com as Boas Práticas Para Serviços de Alimentação.
7. Escolha bem as embalagens
As embalagens são responsáveis por garantir que o prato chegue com segurança e integridade nas mãos do consumidor.
É importante escolher tamanhos, materiais e formatos adequados a cada tipo de alimento. Molhos e caldos, por exemplo, podem ser enviados à parte, enquanto frituras ou itens crocantes podem ir em embalagens com ventilação, para manter a crocância.
Além disso, será necessário algum tipo de sacola plástica ou de papelão que embale todos os itens individuais em uma única entrega.
Alguns diferenciais que podem te ajudar são:
- ter a identidade da sua marca, com material personalizado ou adesivos;
- incluir um bilhete ou cartão, pregado em cada embalagem;
- enviar algum “mimo”/agrado surpresa dentro da embalagem, como um doce.
8. Organize a sua equipe
Se você quer garantir a eficiência dos serviços do delivery, é essencial padronizar os processos operacionais e tarefas de cada funcionário.
Estabeleça quem ficará responsável por preparar os alimentos, receber, separar e despachar os pedidos, realizar o atendimento dos clientes etc. Todas essas atividades são importantes para manter uma operação ágil e eficiente.
9. Defina a logística de entregas
Como os pedidos do seu delivery serão entregues para os clientes? As principais opções disponíveis são:
- Apps de delivery: os aplicativos costumam oferecer o serviço de motoboy por uma taxa adicional;
- Frota própria: é possível investir na compra ou aluguel de veículos e na contratação de funcionários para montar uma equipe própria de entregadores;
- Serviços terceirizados: nesse modelo, você contrata motoboys freelancers ou empresas de entrega para realizar os transportes.
10. Elabore um plano de divulgação
É importante construir uma presença digital para o seu delivery atrair clientes e gerar vendas. As redes sociais são grandes aliadas nessa estratégia, sendo recomendado criar uma conta oficial para a sua marca em canais como Instagram, Facebook e WhatsApp.
Você pode investir na produção de conteúdos orgânicos, anúncios pagos, parcerias com influenciadores locais e outras marcas, entre outras ações de marketing.
Criar uma conta no Google Meu Negócio também é estratégico para que o seu empreendimento seja encontrado pelos usuários em suas buscas online.
11. Aceite as principais formas de pagamento
Cartão de crédito e débito, Pix e vale-refeição são as principais opções para atender às preferências do público. Seu negócio pode aceitá-las na maquininha de cartão ou diretamente pelo site ou aplicativo de vendas. Outra opção, para quem vende por WhatsApp ou redes sociais, é gerar um Link de Pagamentos.
Como a Stone pode ajudar o seu negócio?

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Este conteúdo é uma forma de apoiar empreendedores na sua jornada. No entanto, cada estabelecimento é único e nem todas as dicas aqui podem se aplicar ao seu negócio






