Hortaliças em mercadinho

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Como montar um mercadinho? Passo a passo para começar seu negócio

Conheça o passo a passo para fazer um minimercado de bairro, com expectativas de lucro e custos e outras informações úteis. 

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Os tradicionais mercadinhos de bairro fazem parte da paisagem das cidades brasileiras há muitos anos e, ao que tudo indica, vão continuar fazendo. 

Pode não parecer, mas este segmento é um dos mais importantes do varejo. Para se ter uma ideia, segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), de 2024, o setor supermercadista é composto por 414.663 lojas; destas, 318.381 são micro e pequenas empresas, e deste montante, 72% são minimercados, mercearias e armazéns. 

Um pequeno mercado é uma alternativa prática e ágil para o consumidor, e uma opção interessante de negócio para o empreendedor.

Antes da pandemia, um estudo do Sebrae estimava que 40% do volume total de vendas no setor de autosserviço era feito em mercadinhos. Depois da Covid-19, a tendência de compras menores e pontuais em pequenos mercados se manteve em alta. 

Ou seja, abrir um mercado de bairro pode ser uma opção de empreendimento promissora e lucrativa. Confira abaixo o passo a passo de como montar um mercadinho.

1. Faça um bom plano de negócio

Um plano de negócio é um estudo preliminar que vai servir como base para toda a sua operação. Neste planejamento, são feitas análises de mercado e definições de diretrizes importantes do negócio. Geralmente, um plano de negócio engloba: 

Sumário executivo

É um resumo breve do seu planejamento e uma apresentação das informações principais da sua empresa, como quadro societário, missão, mercado de atuação, etc. Deve ser feito por último, quando todo o resto já estiver definido. 

Análise de mercado

Uma análise detalhada do mercado em que você estará inserido é fundamental para entender a melhor forma de atuar. Entenda o perfil do seu público-alvo, quais são as suas expectativas e comportamentos, faixa-etária, gênero, hábitos de consumo, etc. 

Análise da concorrência

Da mesma forma que é necessário conhecer o seu público, é fundamental ter um conhecimento profundo do seu concorrente. Conheça as práticas dos outros mercados da sua região, os preços, as estratégias de venda e divulgação, e as promoções. Somente assim, você conseguirá se destacar dos demais. 

Análise de fornecedores

Antes de fechar com os fornecedores, é preciso fazer uma pesquisa minuciosa sobre quais vão te suprir da maneira mais confiável, oferecendo as melhores condições. Falaremos mais sobre o assunto em um dos tópicos abaixo. 

Plano operacional 

O plano operacional vai destrinchar o funcionamento da sua operação. Descreva a sua estrutura física, o local da operação, os equipamentos, assim como as atividades operacionais propriamente ditas, a estimativa de volume de vendas, de necessidade de estoque, número de funcionários necessários, metas, etc. 

Plano de marketing

O Marketing é uma área fundamental para a sobrevivência de qualquer empresa. Planeje as estratégias de divulgação que você irá implementar para conseguir tornar o seu mercado mais visível e atrativo ao seu público-alvo. Defina os tipos de campanhas, mídias, parcerias, orçamento destinado, etc. 

Plano financeiro 

O planejamento financeiro é o coração do seu plano de negócio. Detalhe ao máximo todos os valores envolvidos na sua operação, inclusive fazendo projeções. O auxílio de um contador nesta etapa pode ser decisivo.

Entre outros cálculos, você deve entender de quanto capital de giro vai precisar, quanto deve investir, quanto vai precisar faturar por mês e qual o fluxo de caixa necessário. 

2. Defina o regime tributário do seu negócio

Cada segmento possui diretrizes tributárias específicas, como impostos, CNAEs, etc. Para evitar multas e complicações com a Receita Federal, é fundamental conhecer bem o regime tributário da sua área de atuação. Um contador pode te ajudar muito nesta hora. 

3. Conheça a legislação e as normas de funcionamento do seu negócio

Da mesma forma, também existem normas e legislações específicas para a operação de um pequeno mercado. Para abrir o seu estabelecimento, você precisa de: 

  • Registro na junta comercial; 
  • CNPJ;
  • Inscrição estadual;
  • Inscrição municipal;
  • Alvará de localização e funcionamento; 
  • Licença da Vigilância Sanitária; 
  • Autorização de funcionamento do Corpo de Bombeiros; 

Além destes, pode ser que o seu município solicite uma documentação adicional. Não deixe de se informar na prefeitura sobre as exigências locais. 

4. Entenda quanto custa abrir um minimercado

Os valores envolvidos na abertura de um mercadinho podem variar bastante, de acordo com condições locais e particulares do empreendimento e do empreendedor. Estimativas variadas apontam para um valor entre R$ 20 mil e R$ 200 mil. 

Para ter uma noção mais aproximada de quanto irá custar a sua operação, é preciso orçar e estimar os seguintes custos: 

  • Aluguel; 
  • Compra do estoque; 
  • Equipamentos e mobiliário; 
  • Energia elétrica (mercadinhos costumam ter uma conta alta); 
  • Funcionários;
  • Licenças e documentação de abertura; 
  • Marketing. 

5. Saiba qual o lucro obtido com um mercado

Esta é outra conta que costuma variar de acordo com as condições, mas que também possui uma média aproximada. 

De acordo com um levantamento do Sebrae, 49,1% dos mercadinhos faturam até R$ 150 mil ao mês e 20,6%, por serem microempresas, faturam entre R$ 5 mil e R$ 30 mil ao mês. 

Ainda segundo o mesmo estudo, a lucratividade depende de fatores como o mix de produtos, perfil do público, localização e tamanho da loja, mas estima-se que o setor apresente, normalmente, um lucro líquido acima de 2%. 

De acordo com a Abras, o lucro líquido médio do setor em 2023 foi de 2,9%, mesmo patamar dos dois anos anteriores. 

6. Escolha uma boa localização 

Ter uma localização atrativa é a razão de ser de um mercadinho de bairro. Por isso, encontrar um ponto estratégico deve ser a principal preocupação na hora do planejamento. 

Faça uma pesquisa minuciosa para entender a densidade demográfica do bairro, estude o perfil dos moradores e encontre um imóvel bem centralizado entre os endereços residenciais, que funcione como a alternativa mais próxima para o maior número possível de pessoas.

7. Planeje bem o layout do seu minimercado

A experiência do consumidor no seu mercado é totalmente condicionada pelo layout da loja. O desenho do mercadinho vai influenciar desde a circulação das pessoas, que precisa ser fluida e agradável, até a forma como o cliente percebe os produtos. 

Os corredores e espaços entre as gôndolas precisam ser amplos e não ter nenhum obstáculo pelo caminho, como banquinhos e outros eventuais objetos do dia a dia que possam ficar por ali. 

A comunicação visual e a sinalização precisam ser objetivas e precisas, de modo a informar com clareza ao cliente onde ele pode encontrar o que precisa. A iluminação também deve ser agradável. 

Existem técnicas para organizar os produtos dentro do mercado de modo a facilitar a vida do cliente e impulsionar as vendas. Disponha os produtos por categorias e de acordo com os seus usos — por exemplo, massas, molhos e queijo ralado devem ficar próximos um do outro, assim como itens usados em churrasco. Além disso, nunca misture produtos cujo contato pode gerar contaminação ou danos, como itens de limpeza e alimentos. 

Produtos de maior valor agregado devem ficar nas prateleiras sempre na altura dos olhos, para chamar mais atenção. Já produtos com maior demanda, como a padaria, costumam ficar no fundo da loja, para fazer com que o consumidor precise atravessar todas as prateleiras até chegar lá. 

Organizando os produtos desta forma, mantendo os corredores, gôndolas, geladeiras e freezers sempre limpos, você vai estimular que os clientes do seu mercado comprem mais produtos e voltem sempre. 

8. Compre os equipamentos certos para um pequeno mercado

Os equipamentos que o seu minimercado vai precisar vão depender do seu plano de negócio. Contudo, via de regra, uma operação básica de um pequeno mercado que se dispõe a oferecer um mix de produtos tradicional costuma precisar de: 

  • Gôndolas; 
  • Prateleiras;
  • Geladeira; 
  • Freezer; 
  • Balcão refrigerado; 
  • Forno; 
  • Carrinhos e cestas de compras; 
  • Balança; 
  • Balcões de atendimento; 
  • Caixa; 
  • Impressora de cupom fiscal; 
  • Leitor de código de barras; 
  • Maquininha de cartão. 

À medida que o seu negócio for se desenvolvendo e o seu volume de vendas for aumentando, você pode tentar negociar com os fornecedores de bebidas a concessão de freezers das marcas. Para o fornecedor, é interessante ter a marca exposta no ponto de venda; e para o dono do estabelecimento é uma economia significativa. 

Outra dica importante é manter a identidade estética em todo o mobiliário. 

9. Faça uma seleção estratégica de produtos

Mercadinhos de bairro costumam ter um pouco de tudo. Uma boa seleção de produtos combina itens de higiene pessoal, hortifruti, carnes, frios, panificação, bebidas, entre outros. Abaixo, listamos alguns dos principais itens, por categoria, para você oferecer no seu estabelecimento. 

Alimentos perecíveis

Café, arroz, feijão, grãos em geral, enlatados, condimentos, etc. 

Frios

Presunto, queijo, salame, mortadela, etc. 

Carnes e congelados

Cortes bovinos e suínos, frango, linguiça, peixes, sorvete, pratos prontos, açaí, etc.

Padaria

Diferentes tipos de pães, croissants, pão de queijo, etc. 

Hortifruti

Folhas, frutas, legumes, etc. 

Doces

Chocolates, balas, barras de cereal, bombons, etc. 

Bebidas

Bebidas alcoólicas, refrigerantes, sucos, chás, leite, etc. 

Limpeza 

Produtos de limpeza, sabão de lavar roupa, detergente, etc. 

Higiene pessoal

Pasta de dentes, fio dental, escova de dentes, sabonete, shampoo, etc. 

Utensílios domésticos 

Panelas, abridor de vinho, espátulas, etc. 

Uma estratégia interessante para pequenos mercados é investir nos chamados itens de emergência. Afinal, um dos maiores motivos que leva as pessoas aos mercadinhos são os contratempos. Para atender a esta demanda, invista em produtos pré-preparados, como frutas e ingredientes cortados e porcionados, e até mesmo em refeições prontas.  

10. Escolha bons fornecedores

A escolha de bons fornecedores está relacionada não apenas à qualidade dos insumos e produtos que você irá vender, mas à confiabilidade das entregas e às condições de pagamento.

Além disso, uma rede de fornecedores parceiros pode ajudar a expor melhor os produtos, uma vez que eles têm experiência no setor e também estão interessados no sucesso das vendas para o consumidor final. 

11. Tenha uma boa estratégia de divulgação

Não importa o tamanho e a escala do seu negócio, o marketing é importante para todo tipo de empreendimento. Invista uma parte do seu orçamento em estratégias de divulgação.

Hoje em dia, com as redes sociais, é possível aumentar significativamente o alcance da sua marca, sem a necessidade de grandes investimentos. 

Além disso, faça promoções para desencalhar produtos e atrair mais clientes. Você pode criar um grupo de WhatsApp para divulgar as suas ofertas, o que vai manter o seu negócio próximo do consumidor e gerar empatia. 

12. Contrate bem e invista na capacitação dos seus funcionários

O número de funcionários em minimercados pode variar bastante. De acordo com o Sebrae, 50% dos mercadinhos possuem até quatro funcionários. Para um estabelecimento de cerca de 200m², este número costuma ser entre cinco e oito colaboradores. 

Além de ser criterioso na escolha dos funcionários, é fundamental investir na capacitação e motivação da sua equipe. Um colaborador motivado e que se sente valorizado vai tratar bem o cliente, o que vai se reverter numa maior aprovação do seu mercadinho e na fidelização do consumidor. 

13. Atenda bem e ouça os seus clientes

A dica anterior está diretamente relacionada a esta. Mercadinhos de bairro são conhecidos por manterem uma relação de maior proximidade com os seus clientes. Por serem menores, é possível ser mais pessoal no trato com o consumidor. 

Um comprador satisfeito é um cliente fiel que vai voltar sempre, priorizar o seu estabelecimento e gerar mais receita. Atender bem o cliente passa por ter funcionários preparados que sejam simpáticos, atenciosos, ágeis e práticos. 

Um bom atendimento também significa ouvir o cliente. Para tanto, você pode criar formulários de sugestões ou canais online, como um grupo de WhatsApp. Além de abrir este espaço, é fundamental colocar em prática os pedidos do seu consumidor. 

14. Faça um bom controle de estoque 

O estoque é o seu principal ativo. Para aproveitá-lo ao máximo e evitar perdas, é imprescindível fazer um bom controle de estoque. 

Isto significa adotar um conjunto de métodos e tecnologias para otimizar esta gestão. Um exemplo é a Curva ABC, metodologia de controle de estoque que te ajuda a identificar quais são os produtos mais importantes para o seu negócio. A premissa deste procedimento é que poucos itens são os responsáveis pela maior parte do seu faturamento. 

Outra medida importante é estar sempre atento ao vencimento dos produtos. Entenda bem o seu fluxo de vendas de produtos perecíveis e compre apenas o necessário para evitar perdas. 

Disponha nas gôndolas os produtos do estoque que estiverem mais próximos do vencimento, mas tome muito cuidado para nunca colocar um item vencido. No Brasil, isto é crime! 

Além de não deixar produtos vencerem, também é importante se atentar para nunca deixar faltar os produtos campeões de vendas. 

15. Ofereça diferentes formas de pagamento

Quanto mais formas de pagamento você oferecer, mais clientes você consegue alcançar. Hoje em dia, dispomos de diversos métodos de pagamento e podemos perder uma venda quando não oferecemos aquele que o cliente utiliza. 

Portanto, considere aceitar: cartões de crédito e débito, Pix, dinheiro, carteiras digitais, vale-alimentação e até um crediário próprio. 

16. Considere um serviço de entregas 

Desde a pandemia, os serviços de entregas têm se popularizado cada vez mais. Se você puder oferecer esta possibilidade para o seu cliente, é um diferencial a mais. 

Alguns mercadinhos costumam disponibilizar a entrega para endereços próximos e fazem os pedidos pelo WhatsApp. É uma boa estratégia para cativar e fidelizar os clientes.

Montar um mercado de bairro é uma opção atraente para o empreendedor. Com um bom planejamento, a gestão atenta do estoque, um bom atendimento, entre outras medidas apresentadas neste guia, é possível prosperar num dos setores mais aquecidos da economia brasileira, responsável por 9,2% do PIB brasileiro.

Tem interesse em outras possibilidades de empreendimento? Confira também como montar uma loja de variedades.

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Este conteúdo é uma forma de apoiar empreendedores na sua jornada. No entanto, cada estabelecimento é único e nem todas as dicas aqui podem se aplicar ao seu negócio.

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